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sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
Clicks #15 : a simplicidade
"A água da minha memória, devora todos os reflexos."
A simplicidade da vida refletida numa poça de água.
domingo, 2 de fevereiro de 2014
Clicks #14 : O barco abandonado
A minha vida é um barco abandonado
Infiel, no ermo porto, ao seu destino.
Por que não ergue ferro e segue o atino
De navegar, casado com o seu fado?
Ah! falta quem o lance ao mar, e alado
Torne seu vulto em velas; peregrino
Frescor de afastamento, no divino
Amplexo da manhã, puro e salgado.
Morto corpo da ação sem vontade
Que o viva, vulto estéril de viver,
Boiando à tona inútil da saudade.
Os limos esverdeiam tua quilha,
O vento embala-te sem te mover,
E é para além do mar a ansiada Ilha.
Infiel, no ermo porto, ao seu destino.
Por que não ergue ferro e segue o atino
De navegar, casado com o seu fado?
Ah! falta quem o lance ao mar, e alado
Torne seu vulto em velas; peregrino
Frescor de afastamento, no divino
Amplexo da manhã, puro e salgado.
Morto corpo da ação sem vontade
Que o viva, vulto estéril de viver,
Boiando à tona inútil da saudade.
Os limos esverdeiam tua quilha,
O vento embala-te sem te mover,
E é para além do mar a ansiada Ilha.
A minha vida é um barco abandonado, Fernando Pessoa
sábado, 1 de fevereiro de 2014
Clicks #13 : O descanso em bando
Um passeio durante a tarde com a máquina fotográfica na mão e a pontaria de um clique no momento certo. Nem sempre assim é. Hoje, contudo, tive sorte. O bando estava a descansar.
quarta-feira, 29 de janeiro de 2014
sábado, 25 de janeiro de 2014
Clicks! #11
Flores de amendoeira em minha mesa,
Achei-as na brancura que me enleva.
Aqui... é sempre inverno e a natureza
Tem cor e brilho só na flor da esteva...
Vim encontrá-las, cheio de surpresa,
E antevi a Serra toda em flor:
O Algarve transformado na leveza
De véus de noiva na Capela-Mor!
E o incolor da minha nostalgia
Mudou-se em alvoroço, em pleno dia,
Na fantasia de longínqua Lenda...
Do alto desta Serra, olhando ao largo,
Vejo a Rainha erguer-se do letargo
Com pétalas no seu mantel de renda...
Achei-as na brancura que me enleva.
Aqui... é sempre inverno e a natureza
Tem cor e brilho só na flor da esteva...
Vim encontrá-las, cheio de surpresa,
E antevi a Serra toda em flor:
O Algarve transformado na leveza
De véus de noiva na Capela-Mor!
E o incolor da minha nostalgia
Mudou-se em alvoroço, em pleno dia,
Na fantasia de longínqua Lenda...
Do alto desta Serra, olhando ao largo,
Vejo a Rainha erguer-se do letargo
Com pétalas no seu mantel de renda...
Flor de Amendoeira, M. Oliveira
sexta-feira, 13 de dezembro de 2013
Clicks! #10
Hoje, apenas um.
Uma gota de chuva
Ficou presa pelo fio
Faiscando a luz do sol
Até se evaporar
Tive pena daquela gota pequena
Que por alguns instantes
Brilhou mais
Que o mais puro brilhante
Para em seguida se apagar.
Quanta gente existe no mundo
Que alardeia virtudes
Que são como gotas de chuva
De efêmero brilhar
Quantas coisas sonhamos
Um dia poder realizar
Porém, como as gotas de chuva
Os sonhos se desfazem
Ao despertar.
Ficou presa pelo fio
Faiscando a luz do sol
Até se evaporar
Tive pena daquela gota pequena
Que por alguns instantes
Brilhou mais
Que o mais puro brilhante
Para em seguida se apagar.
Quanta gente existe no mundo
Que alardeia virtudes
Que são como gotas de chuva
De efêmero brilhar
Quantas coisas sonhamos
Um dia poder realizar
Porém, como as gotas de chuva
Os sonhos se desfazem
Ao despertar.
Gotas de chuva, autor desconhecido
domingo, 1 de dezembro de 2013
Click! #9
Cais, às vezes, afundas
em teu fosso de silêncio,
em teu abismo de orgulhosa cólera,
e mal consegues
voltar, trazendo restos
do que achaste
pelas profunduras da tua existência.
Meu amor, o que encontras
em teu poço fechado?
Algas, pântanos, rochas?
O que vês, de olhos cegos,
rancorosa e ferida?
Não acharás, amor,
no poço em que cais
o que na altura guardo para ti:
um ramo de jasmins todo orvalhado,
um beijo mais profundo que esse abismo.
Não me temas, não caias
de novo em teu rancor.
Sacode a minha palavra que te veio ferir
e deixa que ela voe pela janela aberta.
Ela voltará a ferir-me
sem que tu a dirijas,
porque foi carregada com um instante duro
e esse instante será desarmado em meu peito.
Radiosa me sorri
se minha boca fere.
Não sou um pastor doce
como em contos de fadas,
mas um lenhador que comparte contigo
terras, vento e espinhos das montanhas.
Dá-me amor, me sorri
e me ajuda a ser bom.
Não te firas em mim, seria inútil,
não me firas a mim porque te feres.
em teu fosso de silêncio,
em teu abismo de orgulhosa cólera,
e mal consegues
voltar, trazendo restos
do que achaste
pelas profunduras da tua existência.
Meu amor, o que encontras
em teu poço fechado?
Algas, pântanos, rochas?
O que vês, de olhos cegos,
rancorosa e ferida?
Não acharás, amor,
no poço em que cais
o que na altura guardo para ti:
um ramo de jasmins todo orvalhado,
um beijo mais profundo que esse abismo.
Não me temas, não caias
de novo em teu rancor.
Sacode a minha palavra que te veio ferir
e deixa que ela voe pela janela aberta.
Ela voltará a ferir-me
sem que tu a dirijas,
porque foi carregada com um instante duro
e esse instante será desarmado em meu peito.
Radiosa me sorri
se minha boca fere.
Não sou um pastor doce
como em contos de fadas,
mas um lenhador que comparte contigo
terras, vento e espinhos das montanhas.
Dá-me amor, me sorri
e me ajuda a ser bom.
Não te firas em mim, seria inútil,
não me firas a mim porque te feres.
O Poço, Pablo Neruda
Algures a caminho da Praia de Odeceixe
domingo, 24 de novembro de 2013
Clicks! #8 Este blog não morreu!
Nem ele, nem a pessoa que nele escreve. Graças a Deus! Mas andei entretida por aí e pronto. Aconteceu. Mas para vos provar que continuo dedicada aqui ao estaminé, deixo-vos com uns cliques de hoje ao fim da tarde por Cascais.
domingo, 17 de novembro de 2013
Clicks! #7
De tudo ficaram três coisas.
A certeza de que estamos começando,
A certeza de que é preciso continuar,
A certeza de que podemos ser interrompidos
antes de terminar.
Façamos da interrupção um caminho novo,
Da queda, um passo de dança,
Do medo, uma escada,
Do sonho, uma ponte,
Da procura, um encontro!
A certeza de que estamos começando,
A certeza de que é preciso continuar,
A certeza de que podemos ser interrompidos
antes de terminar.
Façamos da interrupção um caminho novo,
Da queda, um passo de dança,
Do medo, uma escada,
Do sonho, uma ponte,
Da procura, um encontro!
Fernando Sabino
sábado, 16 de novembro de 2013
Clicks! #6
Margens inertes
abrem os seus braços
Um grande barco no silêncio parte.
Altas gaivotas nos ângulos a pique,
Recém-nascidas à luz, perfeita a morte.
Um grande
barco parte abandonando
As colunas de um cais ausente e branco.
E o seu rosto busca-se emergindo
Do corpo sem cabeça da cidade.
Um grande
barco desligado parte
Esculpindo de frente o vento norte.
Perfeito azul do mar, perfeita a morte
Formas claras e nítidas de espanto.
abrem os seus braços
Um grande barco no silêncio parte.
Altas gaivotas nos ângulos a pique,
Recém-nascidas à luz, perfeita a morte.
Um grande
barco parte abandonando
As colunas de um cais ausente e branco.
E o seu rosto busca-se emergindo
Do corpo sem cabeça da cidade.
Um grande
barco desligado parte
Esculpindo de frente o vento norte.
Perfeito azul do mar, perfeita a morte
Formas claras e nítidas de espanto.
O barco, Sophia de Mello Breyner Andresen
quinta-feira, 14 de novembro de 2013
Clicks! #5
Não basta abrir a janela
Para ver os campos e o rio.
Não é bastante não ser cego
Para ver as árvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Com filosofia não há árvores: há ideias apenas.
Há só cada um de nós, como uma cave.
Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora;
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela.
Para ver os campos e o rio.
Não é bastante não ser cego
Para ver as árvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Com filosofia não há árvores: há ideias apenas.
Há só cada um de nós, como uma cave.
Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora;
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela.
Não basta, Alberto Caeiro
quarta-feira, 13 de novembro de 2013
Clicks! #4
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender.
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo.
Eu não tenho filosofia; tenho sentidos.
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar.
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender.
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo.
Eu não tenho filosofia; tenho sentidos.
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar.
Fernando Pessoa
terça-feira, 12 de novembro de 2013
Clicks! #3
No comboio descendente
Vinha tudo à gargalhada,
Uns por verem rir os outros
E os outros sem ser por nada
No comboio descendente
De Queluz à Cruz Quebrada.
No comboio descendente
Vinham todos à janela,
Uns calados para os outros
E os outros a dar-lhes trela
No comboio descendente
Da Cruz Quebrada a Palmela.
No comboio descendente
Mas que grande reinação!
Uns dormindo, outros com sono,
E os outros nem sim nem não
No comboio descendente
De Palmela a Portimão.
No comboio descendente, Fernando Pessoa
Quem diz Portimão, diz Castro Marim. Só não rima.
sexta-feira, 8 de novembro de 2013
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