quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Afinal de contas ela até à net já vai, vejam lá! ;)

Depois de ontem ter recebido esta fantástica carta e de a ter publicado aqui no estaminé recebo uma mensagem da minha mãe pelo facebook. Espantou-me! Então a mulher 'escrebeme' daquela forma e depois afinal de contas até percebe de novas tecnologias?! Pelos vistos, deve andar a tirar um curso de informática lá na aldeia com as outras Marias e não me disse nada! Ora aqui fica resposta dela:
 
"É a tua rica mãe que te fala, deberias culucar a carta cumo estaba, pois destes menos errus que eu e eu não pus pontuação foi cumo o Zé Saramagu na fiz a cousa pur menus Beijus um aperto d mão Deuzinha tu fazias parte da família mais chegada pra outra vez prumeto que entras cu teu nome desfarçado O ti capela foi engano é o ti d aquela mais beijus"
 
 
 
A minha mãe é a maior, caraças! :D
 
 
 
(para os que não perceberam, a carta de ontem é fictícia, ok? Ela apenas encarnou numa senhora da aldeia dos anos de 1970 prá'i. Eram assim as cartas de antigamente e como eu estou longe ela arranjou uma forma cómica de me transmitir as notícias lá da terra). E eu não dei menos erros, só realmente pontuei.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Desejos #7

Sim, ando virada para a Pandora agora, mas esta peça é simplesmente deliciosa! :D
 
 

Carta de uma mãe à sua filha que decidiu ser 'Doitora dos dentes nos Algarbes'

"Miraégiraelinda, 28 de Novembro de*
 
Querida filha escrebote esta carta na esperança dela tir encuntrar de boa saúde.
Escrebote cum muitas sudades num fosses tu a minha menina sózinha  que quis ser doitora dos dentes e ir prós Algarbes trabalhar.
Num sei aonde isso fica mas o ti Manel da Erba que é cundutor das caminetas já me disse que é um lugar muito lindo aonde á um mundo de Alemões e Engeleses todos ricos. Atão tu tás num bom lugar pra trabalhar que aquela gente deve ter os dentes todos agente é que tem só um.
Querida filha quando tu chegares bai aber uma grande festa o porco tá pronto pa matar já falei ca família mais chegada e tamem ca Maria Bé mais a filha ao ti João dos tomates mais a família dele e mais gente que tu conheces.
No dia da matança do malhado logo pla manhã bai aber a cafezada e os filhoses ca tua avó Maria sabe fazer. Os omes esses querem é cachaça pra matar o bicho. Pró jantar fazemos batatas cum bacalhau e a noite aroz de lebe e a caçoiada cum batatas cuzidas. Bais gustar de ber esta gente toda junta vai ser uma festança.
o Antóino da Gaita peremeteume que leva a concertina pra gente dar uns pezinhos de dança. Pudias traser cuntigo os teus amigos doitores o padre Migelão o ti Capela mais a senhora dele e os pais da tua amiga doitora.
Sabes querida filha o tê pai num anda bom do espinhaço o teu primo T o infromeiro anda a darlhe injeções. O T. agora tá muito bem graças a Deus Nosso Senhor ele trabalha nu Inemi ou Tinoni não sei bem mas Deus lhe cunserve este trabalhinho quele gosta tanto. Ele foi ai òs Algarbes fazer um trabalho de respiração boca a boca não percebi nada na averia de ser boca nariz? mas eles é que sabem eles é que são letrados. Eu cuidava que ele ia naqueles carróis dos bumbeiros quele tamém é pois assim mandava umas batatitas umas cebolas uns alhos fijões pá sopa uma carne intremiada pras fabas mas ele foi no abião no ar num pode levar nada.
Olha rica filha o nosso C.P. tamém bai ser doitor já and em Cuimbra a estudar nos libros.
A tua rica madrinha que tanto urgulho tem em ti arranjou trabalho na Freguesia de S. Tomé mas ela e as camaradas da Cambra não andam satisfeitas com o Passos Lebre mais o Paulo Portão diz ela que não lhe dão denhêro denhum. Reclamam de barriga cheia já bistes? A catigoria que elas tem em serem trabalhadeiras do governo.
Prá próxima conto mais novidades agora tenho dir fazer a janta pró tê pai senão ele desancame de língua só pença na pança cheia se bem a fome quele adebinha Deus nus acuda!
Recebe muitos beijus da mãe que anda sempre cuntigo no curação
 
Maria"
 
Opá, a minha mãe rula caraças! O que eu me ri ao ler isto! No fim, só não consigo perceber como ela conseguiu ter capacidade para dar tantos erros! Adorei pá! Vai 'aber' resposta um dia destes!
 
 
*foi de 2013 mas pela escrita teria sido talvez em 1975 xD 

O sexto sentido feminino, mais que apurado hoje em mim!

Estou a sentir que a qualquer momento vai brotar um cogumelo gigante da minha cara, mesmo ali no queixo, à vista de todos. Amanhã não saio à rua sem pôr dois quilos de base e corretor de olheiras para disfarçar este pedúnculo! (Ou o pedúnculo ou a ferida que entretanto vai resultar de eu lá andar sempre a mexer. Das duas, uma!)

Entretanto, a sorte de hoje é que a máscara tapa e quando sair, já é de noite. =P

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

eu nasci assim, eu cresci assim, eu sou mesmo assim e vou ser sempre assim Gabrieeeeela!

NOT! Trapalhoooooona! Desde criança que vivo com a sombra da trapalhice por cima de mim. Desde que me lembro que a minha professora primária dizia à minha mãe que eu, por querer fazer as coisas sempre muito depressa*, era muito trapalhona. A minha letra era caótica - sim, tive que escrever naqueles cadernos ridículos -.- de duas linhas! e odiava, fica já aqui a nota! -, os desenhos coloridos eram o descalabro - lembro-me de uma vez ter que colorir uma borboleta mas como nunca me tinha apercebido que as asas das borboletas são  simétricas pintei uma asa de uma forma e a outra de outra; quando a professora me disse que não estava bem por não estarem simétricas resolvi apagar tudo com uma borracha de apagar caneta (sim, caneta! xD) e fiz a maior borrada da minha vida no que às artes plásticas diz respeito! Entretanto cresci. Mas assim continuei. E entre nomes trocados e moradas trocadas - há uma que ainda não acredito que tenha sido eu a fazer aquilo porque não tem um único dado meu correto! Uma coisa é ter a rua certa e o número da porta errado, outra coisa é ser tudo errado! xD - lá tenho sobrevivo. Mas adiante... cresci e continuei igual. Tanto que agora sempre que, por exemplo, faço alguma coisa na internet estou sempre super atenta a tudo, leio 500 vezes, releio mais 500 e só depois confirmo. Estava tudo a correr muito bem. Em Outubro paguei umas contas, passei os recibos às clínicas e comprei as viagens agora para esta semana. Hoje quando fui ao mail ver os dados das viagens, PÁÁÁÁÁRA TUUUUDO:
 
então não é que comprei a porra das viagens com os locais da partida e chegada trocados? Em vez de comprar Faro-Porto / Porto-Faro, comprei Porto-Faro / Faro-Porto. Com a confusão de escolher os dias em que as viagens eram mais baratas, pimbas, faço uma destas! Va lá, ao menos sei que comprei as mais baratas e o prejuízo é menor. E esta, meus amigos, esta sou eu. -.- 
 
 
 
*Quando às vezes encontram por aqui palavras deixadas a meio ou mesmo sem sentido algum na frase em que estão incluídas, também é sinal desta minha pressa em querer chegar não sei onde. É só um esclareciementozinho, não vão por aí achar que sou simplesmente tresloucada.

Os meus olhos só se atraem pelo que não devem!

E eu gostava imenso de saber porquê! Ao passar pela montra da Pedra Dura, os meus olhos começam a saltitar entre duas peças: uma pulseira e um colar. Não consegui encontrar o preço das peças mas também não entrei para perguntar e segui o meu caminho rumo ao quiosque do café. Mas aqueles raios não me saiam da cabeça e voltei a fazer nova investida para ver se entretanto a empregada se tinha apercebido que o preço das peças não estava visível e se agora já conseguia ver qual era. Não conseguia. Resolvi entrar e perguntar. A pulseira custava 70 euros, o colar mais de 200! Ah e tal são peças únicas e de designer feitas mesmo com brilhantes, dizia a menina, para justificar o preço e para ver se assim eu abria os cordões à bolsa. Não teve sorte nenhuma, claro! Não encontro fotos dos ditos cujos mas, acreditem!, eram lindos e eram a minha cara. Só não eram a minha bolsa! É que se 70 euros por uma pulseira ainda se podia dar, mais de 200 por um colar, embora, claro, seja já considerado uma jóia, é impraticável para a minha carteira. O que lamento profundamente. :(

No fim disto tudo aquilo que eu concluo é que não é triste ser pobre. Triste é ser pobre e ter bom gosto! -.-

O meu sentido de orientação às vezes passa-se!

E hoje, no espaço máximo de 2 minutos, passou-se duas vezes no estacionamento do Fórum Algarve, quando fui almoçar (eu ando sempre com a marmita atrás, mas como na clínica não temos onde aquecer a comida, vou até ao fórum e aqueço no microondas destinado à comida dos bebés =P). Então, dizia eu. Hoje passou-se duas vezes. A primeira porque quando saio do carro vou em modo automático e não tenho a mínima preocupação em fixar onde raio estacionei o carro. Quando foi preciso encontrá-lo andei por lá as voltas. Quando finalmente o encontrei não me lembro minimamente de ter feito aquele caminho quando me dirigi às escadas rolantes, tal era o automatismo com que ia. Depois do veículo encontrado era necessário sair do parqueamento. Não sei que voltas dei nem para onde fiquei virada que ao fim de trinta segundos já não fazia a mínima ideia de onde estava - tirando o facto de que estava no parque subterrâneo - e só ao fim de duas voltas à zona roxa do parque é que eu consegui tomar rumo. Até nem costumo ser assim mas hoje não sei que se passou comigo!

domingo, 1 de dezembro de 2013

Click! #9


Cais, às vezes, afundas
em teu fosso de silêncio,
em teu abismo de orgulhosa cólera,
e mal consegues
voltar, trazendo restos
do que achaste
pelas profunduras da tua existência.

Meu amor, o que encontras
em teu poço fechado?
Algas, pântanos, rochas?
O que vês, de olhos cegos,
rancorosa e ferida?

Não acharás, amor,
no poço em que cais
o que na altura guardo para ti:
um ramo de jasmins todo orvalhado,
um beijo mais profundo que esse abismo.

Não me temas, não caias
de novo em teu rancor.
Sacode a minha palavra que te veio ferir
e deixa que ela voe pela janela aberta.
Ela voltará a ferir-me
sem que tu a dirijas,
porque foi carregada com um instante duro
e esse instante será desarmado em meu peito.

Radiosa me sorri
se minha boca fere.
Não sou um pastor doce
como em contos de fadas,
mas um lenhador que comparte contigo
terras, vento e espinhos das montanhas.

Dá-me amor, me sorri
e me ajuda a ser bom.
Não te firas em mim, seria inútil,
não me firas a mim porque te feres.

O Poço, Pablo Neruda
 
Algures a caminho da Praia de Odeceixe

sábado, 30 de novembro de 2013

As lembranças do Natal e a inocência característica da infância

Dos Natais da minha infância, há um que me ficou marcado e, pensando agora melhor, talvez seja mesmo o único de que tenho verdadeiras lembranças. Eu era pequenina; não sei que idade tinha, mas era mesmo novinha, talvez tivesse uns 5 aninhos. Estávamos na marquise dos meus avós com a lareira acesa e o sofá camel escuro mesmo encostado a ela para sentirmos o seu calor. Era noite da Consoada. Não me lembro como, só me lembro de estar na presença de um 'homem' vestido de vermelho com umas barbas brancas grandes. Lembro-me de os meus pais comentarem que o meu coraçãozinho estava mais que acelerado. E devia estar mesmo, afinal de contas eu estava na presença do Pai Natal. Não tenho recordação nenhuma dos presentes que recebi nessa noite. Não sei se foi dessa vez que recebi a tábua e o ferro de engomar ou o café das Barriguitas ou se isso terá sido num outro Natal qualquer. A única coisa de que me lembro é que o Pai Natal esteve lá nessa noite. E de eu o ter deixado sair e dizer depois que achava que ele tinha 'mesmo a voz da minha Titi Lurdes'.
 
Não sei quando nem por que deixei de acreditar nesta figura nem quando me apercebi que afinal de contas o Pai Natal naquela noite tinha sido mesmo a 'minha titi Lurdes'. Sei que é inevitável que isso aconteça, mas confesso que às vezes tenho pena que essa inocência de infância se perca com o passar do tempo. Continuo a gostar muito desta época. Gosto de começar a fazer a lista de presentes, de pensar no que é que aquela pessoa iria gostar mesmo de receber e depois de andar pela rua à procura do presente que idealizei. Gosto de decorar a casa; acho que fica mais aconchegante com as decorações natalícias. Mas sinto falta de alguma coisas. E, de há dois anos para cá, sinto falta de uma pessoa. Será o terceiro natal sem ti, avô, e, assim, também já não tem a mesma piada.